segunda-feira, 28 de abril de 2008

pedra

[pedra e fluxo. edifício no Campo Grande. Salvador-BA. 2007. Foto: Gaia]
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"A geografia da cidade moderna assim como a tecnologia mais avançada põem em relevo problemas já estratificados na sociedade ocidental, ao imaginar espalos alternativos em que um corpo humano poderia estar atento a outros. A tela do computador, os bairros isolados da periferia são consequencias espaciais de problemas que até então insolúveis nas ruas, quarteirões, igrejas e auditórios, em casas e pátios, locais de aglomeração - velhas construções de pedra que ainda forçavam as pessoas a se tocarem, mas que se demontraram inúteis quando se tratou de despertar a atenção prometida pela gravura de Hogarth à carne".
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"Em meio a muitas revisões que a morte impõe à mente dos que sobrevivem, e particularmente a forma de sua morte, me fizeram pensar sobre a observação de Wittgenstein, contestadora da importância que os espaços construídos têm para os corpos em sofrimento. 'Por conhecermos o lugar da dor', pergunta Wittegenstein, 'podemos situá-la no espaço, definir a que distância das paredes e do chão da sala ela se manifesta?... "
[Richard Sennett, Carne e Pedra: O corpo e a cidade na civilização ocidental, 1994]
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Entre carne, pedra e fluxos ando por aí tentando achar a alma...

terça-feira, 8 de abril de 2008

pele

[mascarados de Roda D'Água. Cariacica-ES. Março, 2008. Foto: Gaia]
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"À propósito da pele - fronteira última e primeira - é a única que não podemos transpor. Ela é a maior fronteira que pode existir porque esta não podemos absolutamente cruzá-la. Podemos ultrapassar-nos, mas não ultrapassamo-nos. A pele contêm-nos de tal modo que é a partir dela que começamos a existir. É ela que nos denota e nos contorna, é através desta fronteira de carne e pêlos que nos recortamos das paisagens, evidenciando nossa presença no mundo. Assim penso, portanto, que os corpos desenham as cidades, são eles que as revelam e as tornam vivas, múltiplas, imprecisas. Os corpos desnorteiam a urbe. Transformam as cidades em ideias incapturáveis, porque as tornam móveis, as tornam muitas. "

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Porque o carnaval de congo de Roda D'água não me sai da cabeça... em breve escrevo sobre isso... tá em gestação...

domingo, 6 de abril de 2008

1969

[Beatles tocando no telhado da Apple 1969. ICBA, Salvador-BA. Abril 2008. Foto: Gaia]

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"- Filho ou marido?

- Filho.

- Marido ou família?

- Ãhn?

- Família dessas normais que apesar de tudo sempre te apóia. E marido que não quer saber do seu filho...

- Família, claro.

- Família né?

- É.

- Então tá.

(....)


- É, acho que também escolheria família.

- Porque marido você arruma outro!

- É? Eu ia falar que marido um dia te larga! rs!

- Não... você arruma outro.

- Um dia ainda penso assim!"

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"all I want is you
Everything has got to bejust like you want it to "

[Beatles]

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Porque hoje os Beatles tocaram no telhado do ICBA depois de um diálogo esquisito com uma moça que me parou no corredor!

Porque os Irmão da bailarina tocaram um rockprogressivopóspunk cheio de Radiohead, Nirvana, e otras cositas mas!

Porque foi um dia bom!



quinta-feira, 3 de abril de 2008

Penha

[Procissão. Banda de Congo Unidos de Boa Vista. Roda D'Água, Cariacica-ES. Março 2008. Foto: Gaia]
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"Iáiá você vai a Penha?
Me leva ô, me leva"
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Festa da Penha, 31 de março de 2008.
Porque quem não pode ir ao convento inventa uma forma de trazaer o convento pra perto. Coloca roupa de festa, costurada com o maior capricho, segura o instrumento com gosto e sai de casa para cumprir sua obrigação. Suja os pés de lama e sem escorregar prossegue seu canto. Porque é bonito ver isso de perto. É mais bonito fazer parte disso...É bonito voltar pra casa para ver isso. E é mais bonito ainda levar isso junto na hora de ir embora..
"me leva ô, me leva..."
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